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I Seminário de Fotografia de Arquivo revisita o daguerreótipo

Escrito por José Márcio Batista Rangel | Publicado: Sexta, 29 de Novembro de 2019, 16h27 | Última atualização em Quarta, 04 de Dezembro de 2019, 19h47

Uma imersão nos modos de produzir, utilizar e guardar imagens marcou o I Seminário de Fotografia de Arquivo, na terça-feira (26 de novembro), na sede do Arquivo Nacional. O evento contou com palestras de diversos especialistas, e culminou na solenidade de doação de duas reproduções da fachada do prédio da instituição realizadas por meio de daguerreotipia, que é considerada a primeira técnica de produção fotográfica comercializada para o grande público.

Em sua fala de abertura, a diretora-geral Neide De Sordi listou os principais conjuntos fotográficos do acervo sob a guarda do AN, compostos por mais de 1,7 milhão de itens. Como exemplo, citou o fundo “Correio da Manhã”, o segundo mais consultado, que possui fotografias originais daquele que foi um dos maiores jornais do país, extinto na década de 1970. Neide De Sordi também enfatizou as iniciativas de divulgação dessas imagens, tanto nas mídias sociais, quanto em plataformas digitais como o Wikimedia Commons e a Brasiliana Fotográfica; essa última, uma parceria com o Instituto Moreira Salles e a Fundação Biblioteca Nacional.

A primeira mesa de debates teve como tema a estereoscopia e a cultura visual no século XIX. A pesquisadora Maria Isabela Santos, doutora em História, apresentou cronologicamente a técnica que conferia tridimensionalidade a imagens colocadas lado a lado, no interior de um dispositivo que se assemelhava aos binóculos modernos. Essa experiência, considerada extremamente ousada dois séculos atrás, foi a precursora dos atuais produtos audiovisuais em 3-D, e se tornou “uma febre” na época. Alguns dos cartões com imagens usadas em estereoscópios podem ser acessados no acervo do AN (imagem a seguir).

Diapositivo estereoscópico

Diapositivo estereoscópico (duplicado) - Arquivo Nacional. Fundo Fotografias Avulsas. BR_RJANRIO_O2_0_FOT_0443_0001

 

 Cláudia Beatriz Heynemann, servidora da equipe de Pesquisa do AN, relembrou as publicações editadas e lançadas pela instituição que tiveram a imagem como tema central, como "Retratos modernos", com fotografias do século XIX; e a edição comemorativa "Um marco para a fotografia: 180 anos de Daguerre", da revista Acervo, de maio deste ano. Segundo Heynemann, fotografias e arquivos aproximam-se em função da confiabilidade e do "lastro de realidade" que compartilham, uma vez que assumem a tarefa de catalogação do mundo.

A segunda mesa do dia trouxe a imigração vista através das lentes de fotógrafos que registraram a trajetória de núcleos coloniais pelo Brasil, ao longo do século XX. A professora Ismênia Martins, presidente da Associação Cultural do Arquivo Nacional (Acan), apresentou estudos de caso que mostravam o cotidiano de famílias italianas e alemãs da região sul do país.

Já Mariléia Inoue, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destacou a importância dos registros fotográficos para jogar luz sobre a imigração japonesa na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio. Apesar de terem sido mais numerosos e prósperos em São Paulo, os japoneses também marcaram esses municípios, onde tiveram que fazer concessões culturais e de costumes para serem aceitos pelas sociedades locais.

O foco da pesquisa de Ana maria Mauad, professora da Universidade Federal Fluminense, foi a imigração libanesa no Rio de Janeiro. Com o apoio de imagens de revistas ilustradas e registros do dia-a-dia das famílias, ela traçou um histórico desses estrangeiros chegados na primeira metade do século XX. Em resposta a uma pergunta do público presente, Mauad comparou a tecnologia usada por esses fotógrafos com as câmeras digitais de hoje, cujo objetivo principal é facilitar a produção e o compartilhamento das imagens, o que impacta diretamente o armazenamento e a preservação dessas fotografias.

Ao final do seminário, o fotógrafo Francisco Moreira Costa entregou simbolicamente dois daguerreótipos, produzidos por ele na manhã do mesmo dia, que foram doados pela Acan ao acervo da instituição. O processo de registro das imagens foi acompanhado por uma turma do curso de fotografia da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Os alunos e sua professora, Denise Cathilina, fizeram questão de ficar no auditório para assistir às mesas de debate a à entrega dos daguerreótipos.

 

Registro por daguerreotipia no pátio da sede do AN.

O fotógrafo Francisco Moreira em oficina com alunos da Funarte.

 

Os vídeos das palestras podem ser assistidos pelo canal do Arquivo Nacional no YouTube.


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